Foto: Divulgação Zotac

O League of Legends sempre nos encanta, às vezes enquanto assistimos algum jogo do competitivo, ou simplesmente quando conquistamos aquela vitória suada nas filas ranqueadas do servidor. A satisfação por trás desses simples atos só podem ser compreendidos por um verdadeiro fã do game (quer ele jogue ou não).

Porém, às vezes quando certos jogadores tem a oportunidade de adquirir alguma experiência fora do seu país (quase sempre em regiões mais fortes), vemos que a realidade do Brasil às vezes é bem pior do que imaginamos. Mas isso não é uma depreciação a nossa região, pelo contrário, é apenas um alerta.

Enfim, hoje conheceremos um pouco da história de Lucas Maestre, um jovem de 19 anos natural de Ribeirão Preto (interior de SP) e é claro, apaixonado por League of Legends. Há pouco tempo, Lucas esteve presente em Taiwan para a disputa da Zotac Cup e compartilhou algumas de suas experiências no país asiático.

O começo de tudo

Antes disso, Lucas me contou um pouco de sua história antes do lol. Conhecido dentro da comunidade como Cavera, o ribeirão-pretano assim como a maioria dos jogadores teve contato com os games logo cedo. Quando criança, gostava muito dos clássicos Nintendo e Playstation, mas não demorou muito para descobrir o gosto pelo lolzinho.

“Meu primeiro contato com games foi o Mortal Kombat do Super Nintendo, mas as memórias que eu mais guardo de quando eu era pequeno são dos games Final Fantasy Tatics e Tomba, ambos do PS1. Comecei a jogar lol em 2013, mas eu só me interessei mesmo por ele em 2014, quando eu descobri que o jogo era muito competitivo, o que me atraia mais”.

Seu empenho no League of Legends aos poucos foi gerando resultados, de forma mínima talvez, mas gerou e merecidamente. Além de sua recente ida para Taiwan (uma das regiões mais fortes dentro do League of Legends), Lucas sempre marcou presença nos campeonatos da sua cidade jogando pela Master Mind.

“Eu e meu time somos bicampeões seguidos do Ribeirão Preto Anime Fest, um evento de cultura pop que rola aqui na cidade. Também vencemos a Copa Ribeirão Preto de League of Legends em 2018. Fora isso, eu já ganhei alguns campeonatos que a CNB organiza”.

Foto: Divulgação RPAF

A viagem para Taiwan

É até razoavelmente comum vermos jogadores que fazem bootcamps em outros países numa tentativa de melhorar o seu nível dentro do jogo. Isso não acontece só no lol, mas em praticamente todas as modalidades de e-sports no geral. Pra você que não sabe, o bootcamp é um método de treino que existe dentro do esporte eletrônico onde equipes (em sua maioria estruturadas) ou jogadores viajam para alguma região do mundo onde os adversários são mais fortes. Isso consequentemente gera uma experiência mais imersiva dentro de qualquer jogo, trazendo uma evolução.

Os destinos de um bootcamp variam, mas podem ser citadas como regiões fortes (no lol em específico) Coréia, China, Europa, Estados Unidos e Taiwan. Bom, foi quase isso que Lucas foi fazer no país asiático (que é de república chinesa). O brasileiro se aventurou na capital Taipé durante dez dias para a disputa da Zotac Cup, um campeonato local que reúne jogadores de todo o mundo. No geral, ele diz que a viagem não foi bem um bootcamp, mas serviu para troca de experiências e também conhecimento.

“Eu fui pra Taiwan jogar um campeonato que eu me classifiquei (Zotac Cup), eu fiquei lá do dia 26 de maio até 4 de junho, e foi a organização da Zotac (que estava fazendo o evento) que bancou tudo. Eu não digo que foi um bootcamp porque eu não joguei soloQ (filas ranqueadas) lá, mas eu pude jogar com alguns pro-players de lá e outros jogadores do mundo todo. Foi muito da hora saber o jeito que as outras regiões jogam e que eu tenho muito a melhorar como um representante da nossa região”.

Foto: Divulgação Zotac

O cenário brasileiro

Já falamos disso, várias vezes pra ser sincero, e querendo ou não, infelizmente isso ainda vai ser assunto por muito anos, ou, até quando definitivamente o nosso cenário melhorar de vez. Quanto tempo isso vai levar? Não sabemos.

Os motivos que levam o Brasil a ser uma das piores regiões dentro do League of Legends são pauta para muito tempo. Lucas não poupou palavras ao dizer sobre a postura de alguns jogadores e também o que pode ser feito para que nosso desempenho internacional melhore.

“O cenário brasileiro de lol não é o pior, porém está entre os piores. Só irá para frente quando alguma mágica acontecer ou os brasileiros souberem se portar dentro do jogo, deixando ego, orgulho, ansiedade e outros sentimentos. Não somos ruins mecanicamente, só o nosso macro, organização e prioridades no jogo que estão erradas. O jeito é ter experiência internacional, não só nos campeonatos, mas também em bootcamps. Controle sentimental, treino, trabalho em grupo e mais investimento, pois aí teríamos mais bootcamps”.

Sonhos

Eu gosto muito de saber sobre os sonhos das pessoas, acho que é uma particularidade minha, tanto pessoal como jornalística também. Sempre me atrai ouvir as pessoas sobre o que elas almejam no futuro, isso fica ainda mais interessante para mim quando converso com figuras que assim como eu, estão diariamente ligadas com esporte eletrônico.

Pergunto a Lucas qual é o seu maior sonho, a resposta me surpreende, mas não deixa de ser cativante.

“Ter uma família e não ter preocupações, é meio contraditório, mas é algo que almejo”.